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Produto que está sendo usado no combate à dengue em Cuiabá tem a eficácia questionada

Pyriproxyfen, que pode causar alergias, também é associado com o surgimento de casos de microcefalia. Larvicida já foi suspenso em alguns Estados


Produto que está sendo usado no combate à dengue em Cuiabá tem a eficácia questionada

Enviado pelo Ministério da Saúde para combater o Aedes aegypti no Mato Grosso, o Pyriproxyfen tem a eficácia questionada. O larvicida é adicionado à água potável armazenada em recipientes abertos para interferir no desenvolvimento do mosquito, que transmite a dengue.

Especialistas, no entanto, argumentam que, além de falhar nessa incumbência, o Pyriproxyfen também pode causar alergias quando exposto ao contato humano. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o Mato Grosso ocupa o 4º lugar no ranking nacional do número de casos registrados de dengue.

Na capital Cuiabá, o larvicida já começou a ser aplicado. Médicos da organização Physicians in the Crop-Sprayed Towns, da Argentina, e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) também questionam se o Pyriproxyfen não teria relação com o surgimento de casos de microcefalia.

Por essa razão, o larvicida teve o uso suspenso no Rio Grande do Sul e na Bahia em 2016. Em Cuiabá, a Prefeitura não divulgou a quantidade recebida do produto. Agentes de combate a endemias ouvidos pelo portal Entender o Brasil, afirmam que ele já está sendo aplicado.

“Desde que foi distribuído e chegou pra gente estamos aplicando mesmo com esse risco”, disse uma profissional à reportagem na condição de anonimato.

Vigilância

A Secretaria de Estado da Saúde está em vigilância. Gilberto Figueiredo, titular da pasta, informou no último 19 de fevereiro que Mato Grosso está suscetível à uma epidemia de dengue neste principalmente durante o verão, que combina elementos como a chuva e o calor.

Em comunicado à imprensa, a Prefeitura de Cuiabá afirma que a capital não recebeu qualquer comprovação por parte do órgão federal de que o produto represente riscos à saúde.

“Vale destacar ainda que o próprio Ministério da Saúde já comunicou que substituirá o uso do Pyriproxyfen por um larvicida biológico”, ponderou a Administração Municipal.

“Tal troca acontecerá, especialmente, porque devido ao uso – que já perdura desde 2015 – o Pyriproxyfen pode já não representar o resultado esperado no combate ao Aedes aegypti”, finalizou.